Os Monólogos da Vagina
Apesar de ser um caleidoscópio de sentimentos íntimos interpretado pelas atrizes Tânia Alves, Fafy Siqueira e Betina Viany, Os Monólogos da Vagina traduz o discurso de apenas um personagem: a mulher. Maculada, inferiorizada e dominada pelo sexo oposto durante séculos, ela reconquista a posse da vagina. É o que mostra a peça por meio da ótica e do humor brasileiro do diretor Miguel Falabella e do elenco.
O espetáculo procura traduzir para o humor nativo o texto da americana Eve Ansler. Ela escreveu o original, The Vagina Monologues, a partir de sua experiência pessoal e de entrevistas com 200 mulheres em todo o mundo, buscando expressar de maneira leve, cômica e ao mesmo tempo dramática os desejos, fantasmas e fantasias do sexo feminino.
Nessa adaptação, Falabella converteu para a realidade brasileira algumas histórias. Entre elas, a da professora de masturbação para mulheres que ignoram a prática, e a da mineira Filó, que busca o workshop porque seus orgasmos sempre foram acidentais. Há também relatos mais sóbrios, como o da garota bósnia que conta a rotina de estupros durante a guerra.
A intenção é tornar o órgão feminino um símbolo da importância das mulheres e do respeito que merecem. Vera garante que quem vê a peça nunca mais olha para o corpo feminino como antes. Mantida a sensibilidade, talvez a grande diferença entre o original americano e a montagem brasileira seja o elenco. Eve, sozinha no palco, era uma jornalista num vestido preto falando ou lendo o próprio texto-testemunho sobre a vagina, de pernas cruzadas. As pernas do trio brasileiro, por outro lado, estão a “dançar” durante toda a peça.
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