Especial
GuiaSP entrevista Matheus Souza, diretor de "Apenas o Fim"
Matheus Souza era apenas mais um estudante de cinema da PUC-RJ até o dia em que resolveu produzir seu primeiro longa, Apenas o Fim. Com uma premissa simples e um desenrolar primoroso, o filme independente conseguiu ganhar diversos prêmios em festivais e acabou por estreiar em circuito nacional. Agora, com 21 anos, Matheus já é considerado o sucessor de Domingos de Oliveira e uma das maiores apostas do cinema nacional.
O GuiaSP entrevistou o diretor, que falou um pouco de seu longa, de seus planos futuros e provou que, além de muito humilde, mantém suas raizes na cultura POP.

GuiaSP - Agora que o filme está saindo em DVD, como você analisa o trajeto dele nos cinemas e mostra que participou? Ele atendeu suas expectativas quando entrou em circuito?
Ele superou todas as minhas expectativas. Eu achava que só minha mãe e minha vó assistiriam o filme quando comecei a escrevê-lo. A época dos festivais foi a melhor época da minha vida. Garotas bonitas davam em cima de mim! Tem coisa melhor? E chegar ao circuito foi incrível, mesmo tendo que concorrer com Harry Potter 5, Exterminador do Futuro 4 e Transformers 2 ao mesmo tempo.
GuiaSP - Você acha que o fato de mencionar no filme sites como o Judão, o Omelete, entre outros, acabou ajudando na divulgação do mesmo? Qual foi o papel da internet na divulgação do longa?
Uma vez que não tínhamos verba para divulgação, resolvemos utilizar as armas que nós tínhamos em casa para fazer as pessoas ouvirem falar do filme. Para isso, nada melhor que a Internet. O filme teve twitter, blog, orkut, etc. A citação desses dois sites foi sincera no filme. Eles, juntamente com o outro citado, o Jovem Nerd, são os que eu mais entrei na minha vida. Uma das melhores coisas da repercussão do filme aliás foi a oportunidade de conhecer os criadores desses sites e me tornar amigo deles.
GuiaSP - Como é a pressão de ter um longa taxado como “ O olhar de uma geração”? O quanto isso afeta seu próximo trabalho? Você realmente quer ser esse olhar? Como você define essa geração?
Acho que uma geração só pode ser completamente resumida ou taxada após uns bons anos de análise. Sabemos agora definir como foram os anos 70, os anos 80 e até os anos 90. Mas é cedo para fazer um relato preciso da geração que cresceu nos anos 2000. Meu filme é um olhar dessa geração porque foi feito por alguém dessa geração (eu) sobre pessoas dessa geração. Mas foi só um ponto de vista dentro de uma lista de vários que poderiam ser tomados. Mas eu me esforcei bastante pra ser um filme bonzinho que agradasse as pessoas da minha idade.
GuiaSP - Você acha que um filme que lida com tantas influências de Cultura POP não acaba limitando um pouco o entendimento de seu público? Ou a história supera todas essas referências no filme?
Ao mesmo tempo que isso acontece, a premissa do filme é uma das coisas mais clássicas do mundo: o fim de um relacionamento. Isso acontece com qualquer geração, independente se o símbolo da época é o Jack Bauer ou o MacGyver.
GuiaSP - Muita gente fala das suas influências como Domingos Oliveira, Charles Kaufman e Kevin Smith, mas qual que é a marca do Matheus Souza?
É cedo pra dizer qual é a minha marca, mas posso garantir que sempre vai ter pelo menos uma atriz bem bonita nos meus filmes. Dá sorte. E torna o trabalho mais fácil.
GuiaSP - Quando o filme começou a fazer sucesso qual que foi a reação dentro da faculdade? Mudou alguma coisa sua relação com o outros alunos e professores?
Mudou muita coisa não. Eu fiquei um pouco mais popular, o que foi bem estranho pra mim. As pessoas sabiam quem eu era. Mas era uma fama mais do tipo ex-bbb que de Zac Efron. Ninguém olhava e dizia "OLHA, É O MATHEUS SOUZA". Era mais algo do tipo "conheço aquele garoto de algum lugar".
GuiaSP – Em algumas entrevistas em que você compara a verba do “Apenas o Fim” com a do Homem-Aranha 3: Você se vê dirigindo um blockbuster milionário?
Não tenho nada contra se for um bom filme no qual eu acredite.
GuiaSP - Se você pudesse escolher qualquer projeto para dirigir agora, qual você escolheria?
Homem-aranha 4 (ou Ultimate, ou seja lá qual acabar sendo o nome). Ou o filme do Flash. Ou o do Capitão América, pra tirar o Chris Evans de lá.
GuiaSP - Quais são os seus próximos filmes e projetos? E “Malditos Argentinos”? O quê você pode falar pra gente sobre ele?
Eu tenho muitos projetos que estou desenvolvendo com calma, muita calma. Preciso ter cuidado com o que vai aparecer como meu "segundo filme". Estou preparando um documentário, uma animação e uma comédia grande. Essa comédia é o "Malditos Argentinos", cujo nome é provisório. É uma comédia anárquica influenciada diretamente pelos filmes da galera do Judd Apatow.
GuiaSP - Seria Matheus Souza o Kevin Smith brasileiro?
Ainda preciso comer muito arroz e feijão pra chegar nele. Literalmente.
GuiaSP - Papo Rápido: O quê o Matheus Souza está lendo, assistindo e jogando atualmente?
Lendo: Essex County (Tijolão de quadrinhos estilo "Umbigo sem fundo" que comprei no Canadá. Bacana.)
Assistindo: Perdi a última temporada de todas as minhas séries favoritas por ter começado a trabalhar como rena em dia de Natal. No momento, estou retomando a sétima temporada de "24 horas" pra começar a oitava.
Jogando: Estou terminando de zerar os games que atrasei por causa do trabalho, "Uncharted 2" e "Brutal Legend". Estou tentando fazer isso o mais rápido possível pra começar logo God of War 3 e Final Fantasy 13.
GuiaSP - E quais são seus:
Filme Favorito: Brilho eterno de uma mente sem lembranças; Livro Favorito: Alta fidelidade; HQ Favorito:
Watchmen; Jogo Favorito: Final Fantasy 7; Desenho Favorito: Family Guy; Música Favorita: Evidências, Chitãozinho e Xororó; e seu Maior Vício? Cinema.
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